quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

TV Brasil x TV Cultura




Recebi com certo temor a criação de mais uma emissora pública estatal, no caso a TV Brasil, do Governo Federal. Temor por conta da dinheirama investida, possíveis desvios financeiros e programação ideológico-politiqueira que o tal fato - a criação de uma TV estatal - pudesse gerar. Passados alguns anos verifico que a minha desconfiança era infundada - pelo menos até agora. A TV Brasil exibe ótima programação, especialmente a aposta no cinema nacional. Dia desse revi "Os Doces Bárbaros" (cópia restaurada), documentário que mostra a turnê dos artistas baianos e capítulos da MPB, Gil, Gal, Caetano e Bethânia, em 1976.

Em contrapartida, a TV Cultura entrou num declínio inexplicável com uma programação medíocre voltada quase toda ela para o público infanto-juvenil. Sinceramente, só se salvam, ainda, o Roda Viva, Metrópolis e Provocações. Nada de novo no front. Sempre acompanhei de perto a TV Cultura que reputo um dos grandes patrimônios públicos do Estado de São Paulo. Mas fui obrigado a mudar de canal. Ótimo seria se a emissora da Fundação Padre Anchieta voltasse aos bons tempos para que o telespectador ainda não contaminado com o lixo veiculado pelas emissoras comerciais tivesse mais uma opção televisiva de qualidade.








domingo, 27 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo a todos os erráticos que assoaram o Nariz de Defunto


Feliz ano novo
No breque, na Brahma, no lar ou na lama
Com cana ou champanhe
No mar, na macumba, no rumo ou na rumba
Nas noites cariocas

Feliz ano novo
No porto, nas docas, nos ratos, nas tocas
Roubando os navios
No sarro, no cio, no lado sombrio
No fio da navalha

Feliz ano novo
Cantando ou calada no blue
Na balada com a boca na trombeta
No grito, na greta, no gol
Na mutreta atrás de gente fina

Feliz ano novo, no sono ou na sina
No chão, na chacina, nos casos de polícia
Na fé, na ferida
No pé, na partida
No ronco da cuíca

Feliz ano novo, na massa, no muque
No bar, no batuque, nos corações vadios
Com festa ou sem festa
Na luta indigesta
Nos fogos de artifício

Feliz ano novo
Cantando ou calada no blue
Na balada com a boca na trombeta
No grito, na greta, no gol
Na mutreta atrás de gente fina

Egberto Gismonti

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O Poeta é a Mãe das Artes by Torquato Neto


O Poeta é a mãe das armas

& das Artes em geral

alô, poetas: poesia

no país do carnaval;

Alô, malucos: poesia

não tem nada a ver com os versos

dessa estação muito fria.



O Poeta é a mãe das Artes

& das armas em geral:

quem não inventa as maneiras

do corte no carnaval

(alô, malucos), é traidor

da poesia: não vale nada, lodal.



A poesia é o pai da ar-

timanha de sempre: quentura no forno quente

do lado de cá, no lar

das coisas malditíssimas;

alô poetas: poesia!

poesia poesia poesia poesia!



O poeta não se cuida ao ponto

de não se cuidar: quem for cortar meu cabelo

já sabe: não está cortando nada

além da MINHA bandeira ////////// =

sem aura nem baúra, sem nada mais pra contar.

Isso: ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar: em primeiríssimo, o lugar.


Torquato Neto

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Sobre lançamentos literários em Jerimumlândia


LANÇAMENTO LITERÁRIO DE 2009 (Hors concours)
Jorge Fernandes, O Viajante do Tempo Modernista (Maria Lúcia de Amorim Garcia).

MELHOR ROMANCE DE 2009
Fortaleza dos Vencidos, A (Nei Leandro de Castro).

DECEPÇÃO LITERÁRIA DE 2009
Lábios-espelhos (Marize Castro).

MENÇÃO HONROSA
Simples Filosofia (Pablo Capistrano).

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Filmes vistos na semana


Mia Farrow em cena de O Bebê de Rosemary

O Grito (Il Grido, EUA/Itália, 1957). Dir: Michelangelo Antonioni. Cotação: Ótimo.

O Bebê de Rosemary (The Rosemary's Baby, EUA, 1968). Dir: Roman Polanski. Cotação: Obra-prima.

Alice nas Cidades (Alice in den Städten, EUA/Alemanha, 1974). Dir: Win Wenders. Cotação: Ótimo.

O Baile (Le Bal, França/Itália, 1983). Dir: Ettore Scola. Cotação: Ótimo.

Gabbeh (Gabbeh, França/Irã, 1996). Dir: Mohsen Makhmalbaf. Cotação: Bom.

Herbert de Perto (Brasil, 2006). Dir: Roberto Berliner e Pedro Bronz. Cotação: Regular.

A Quase Verdade (La Vérité ou Presque, França, 2007). Dir: Sam Karmann. Cotação: Bom.

Cheri (Cheri, Inglaterra, 2009). Dir: Stephen Frears. Cotação: Fraco.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Autos para quê? Para quem?

Cerimônia ecumênica no auto "Jesus de Natal"
Nunca a política do "pão e circo" [no (o)caso de Jerimumlândia, mais circo que pão], implantada pelo imperador romano Octávio César Augusto, na Roma antiga, foi levada tão a sério em Natal. Refiro-me aos autos natalinos que, neste ano da graça de 2009, são três. Na qualidade de pagador de impostos (prefiro pagar promessas), questiono a dinheirama gasta com esses espetáculos politiqueiros que só servem para alienar a população da cidade. Cada auto estatal não sai por menos de R$ 400 mil. Juntando o montante investido nos dois autos daria para montar quantas peças de teatro? Quantos CDs poderiam ser gravados? com uma verba que, certamente, ultrapassa um milhão de reais. Espetáculos de dança, quantos? E por aí segue.


Considero três autos natalinos (o outro é particular, mas com dinheiro de renúncia fiscal) uma excrescência, um despautério, quando sei que no resto do ano os artistas da cidade são tratados a pão e água. Quando muito. As fundações culturais nunca têm verba para nada. E é incrível como a grana aparece magicamente nos dois últimos meses do ano. Óbvio ululante que atores, bailarinos, músicos e demais profissionais envolvidos nos autos, se lessem este post - algo difícil de ocorrer, pois se trata de um blog sem eira nem beira -, não concordariam com minha opinião. Preferem a esmola estatal sagrada de todo fim de ano a reivindicarem uma política cultural que priorize a dramaturgia, o teatro, a dança e a música produzidos em Natal e no Estado nos doze meses do calendário.


Repito a pergunta: quantos bens culturais materiais e imateriais poderiam ser produzidos com a dinheirama investida nos autos? Espero que alguém pense nisso antes de levantar a bandeira desses espetáculos a céu aberto. Em tempo: dirigi o Auto do Natal 2005, que agora se chama "de Natal", com texto primoroso do poeta, escritor e teórico das HQs, Moacy Cirne. E assumo que estou cuspindo no prato, sim. Tem mais não.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

FORMAS & FÔRMAS


A FORMA

DA

FÔRMA

INFORMA


A

D S O M
I F R E

FÔRMA

DA


FORMA