quinta-feira, 1 de março de 2012

Filmes (re)vistos em fevereiro de 2012



1) Cache-Cache (Cache-cache, França, 2005. Comédia drama. Direção: Yves Caumon). Cotação: Bom. Revisão.

2) Entre Lençóis (Brasil, 2008. Romance. Direção: Gustavo Nieto Roa) Cotação: Bom. Revisão.

3) Phoenix Rising (Phoenix Rising, Inglaterra, 2011. Documentário “Gettin’ Tighter” e show “Rises Over Japan”, da banda Deep Purple, em 1975/76. Direção: Tony Klinger). Cotação: Ótimo. Revisão.

4) Queen – Classic Albums: Making of A Night At The Opera (Queen - A Night At The Opera, Inglaterra, 2006). Cotação: Ótimo. Inédito.

5) Sem Destino (Easy Rider, EUA, 1969. Aventura. Direção: Dennis Hopper). Cotação: Ótimo. Revisão.

6) Mulheres À Beira de um Ataque de Nervos (Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios, Espanha, 1988. Comédia. Direção: Pedro Almodóvar). Cotação: Ótimo. Revisão.

7) Vagas Estrelas da Ursa (Vaghe Stelle dell'Orsa, Itália, 1965. Drama. Direção: Luchino Visconti). Cotação: Obra-prima. Revisão.

8) Conto de Outono (Conte d'Automne, França, 1998. Romance. Direção: Eric Rohmer) Cotação: Ótimo. Revisão.

9) A Missão do Gerente de Recursos Humanos (The Human Resources Manager, Israel, 2010. Drama. Direção: Eran Riklis). Cotação: Regular. Inédito.

10)O Baile (Le Bal, França/Argélia/Itália, 1983. Musical. Direção: Ettore Scola). Cotação: Bom. Revisão.

11) Cidade de Deus (Brasil, 2002. Drama. Direção: Fernando Meirelles) Cotação: Bom. Inédito.

12)O Carteiro e o Poeta (Il Postino, Itália, 1994. Romance. Direção: Michael Radford). Cotação: Ótimo. Revisão.

13)O Grande Golpe (The Killing, EUA, 1956. Policial. Direção: Stanley Kubrick). Cotação: Obra-prima. Revisão.

14)Da Vida das Marionetes (Aus dem Leben der Marionetten, Alemanha/Suécia, 1980. Drama. Direção: Ingmar Bergman). Cotação: Obra-prima. Revisão.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Discurso de Marco Antônio no funeral de Júlio César


O MAGNÍFICO texto do discurso de Marco Antônio foi extraído da peça “Júlio César”, de William Shakespeare.

Amigos, romanos, meus concidadãos, deem-me ouvidos. Vim para enterrar César, não para louvá-lo. O bem que se faz é enterrado com os nossos ossos, que seja assim com César. O nobre Bruto disse a vocês que César era ambicioso. E se é verdade que era, a falta era muito grave, e César pagou por ela com a vida, aqui, pelas mãos de Bruto e dos outros. Pois Bruto é um homem honrado, e assim são todos eles, todos homens honrados. Venho para falar no funeral de César. Ele era meu amigo, fiel e justo comigo. Mas Bruto diz que ele era ambicioso. E Bruto é um homem honrado. Ele trouxe muitos prisioneiros para Roma que, para serem libertados, encheram os cofres de Roma. Isto parecia uma atitude ambiciosa de César? Quando os pobres sofriam, César chorava. Ora, a ambição torna as pessoas duras e sem compaixão. Entretanto, Bruto diz que César era ambicioso. E Bruto é um homem honrado.

Vocês todos viram que nas lupercais, eu, por três vezes, ofereci-lhe uma coroa real, a qual ele por três vezes recusou. Isto era ambição? Mas Bruto diz que ele era ambicioso, e Bruto, todos sabemos, é um homem honrado. Eu não falo aqui para discordar do que Bruto falou. Mas eu tenho que falar daquilo que eu sei. Vocês todos já o amaram e tinham razões para amá-lo. Qual a razão que os impede agora de homenageá-lo na morte?

"Neste momento, Marco Antônio faz uma pausa no discurso, e as pessoas do povo começam a refletir sobre o que ele disse, e a questionar se César tinha, afinal, merecido a morte que teve. Passado este interlúdio retorna Marco Antônio a falar."

Ontem, a palavra de César seria capaz de enfrentar o mundo, agora, jaz aqui morta. Ah! Se eu estivesse disposto a levar os seus corações e mentes para o motim e a violência, eu falaria mal de Bruto e de Cássio, os quais, como sabem, são homens honrados. Não vou falar mal deles. Prefiro falar mal do morto. Prefiro falar mal de mim e de vocês do que destes homens honrados. Mas, eis aqui, um pergaminho com o selo de César. Eu o achei no seu armário. É o seu testamento. Quando os pobres lerem o seu testamento (porque, perdoem-me, eu não pretendo lê-lo), e eles se arrojarão para beijar os ferimentos de César, e molhar seus lenços no seu sagrado sangue.

"O povo reclama de Marco Antônio e exige que ele o leia."

Tenham paciência, amigos, mas eu não devo lê-lo. Vocês não são de madeira ou de ferro, e, sim, humanos. E, sendo humanos, ao ouvir o testamento de César vão se inflamar, ficarão furiosos. É melhor que vocês não saibam que são os herdeiros de César! Pois se souberem... o que vai acontecer? Então vocês vão me obrigar a ler o testamento de César? Então façam um círculo em volta do corpo e deixem-me mostrar-lhes César morto, aquele que escreveu este testamento.

Cidadãos. Se vocês têm lágrimas, preparem-se para soltá-las. Vocês todos conhecem este manto. Vejam, foi neste lugar que a faca de Cássio penetrou. Através deste outro rasgão, Bruto, tão querido de César, enfiou a sua faca, e, quando ele arrancou a sua maldita arma do ferimento, vejam como o sangue de César escorreu. E Bruto, como vocês sabem, era o anjo de César. Oh! Deuses, como César o amava. O golpe de Bruto foi, de todos, o mais brutal e o mais perverso. Pois, quando o nobre César viu que Bruto o apunhalava, a ingratidão, mais que a força do braço traidor, parou seu coração. Oh! Que queda brutal meus concidadãos. Então eu e vocês e todos nós também tombamos, enquanto esta sanguinária traição florescia sobre nós. Sim, agora vocês choram. Percebo que sentem um pouco de piedade por ele. Boas almas. Choram ao ver o manto do nosso César despedaçado.

Bons amigos, queridos amigos, não quero estimular a revolta de vocês. Aqueles que praticaram este ato são honrados. Quais queixas e interesses particulares os levaram a fazer o que fizeram, não sei. Mas são sábios e honrados e tenho certeza que apresentarão a vocês as suas razões. Eu não vim para roubar seus corações. Eu não sou um bom orador como Bruto. Sou um homem simples e direto, que amo os meus amigos.

"Seguem-se novamente comentários das pessoas, já agora lamentando o assassinato e condenando os assassinos. Volta Marco Antônio. "

Aqui está o testamento, com o selo de César. A cada cidadão ele deixou 75 dracmas. Mas para vocês ele deixou seus bens. Seus sítios neste lado do Tibre, com suas árvores, seu pomar, para vocês e para os herdeiros de vocês e para sempre. Este era César. Quando aparecerá outro como ele?

"Revoltada a massa sai rumo às casas dos conspiradores para vingar César."

domingo, 15 de janeiro de 2012

Vítima de câncer, morre em São Paulo o diretor Fernando Peixoto


Morreu neste domigo, 15, vítima de um câncer no intestino, o tradutor e diretor teatral Fernando Peixoto. Ele estava internado no hospital São Luiz, em São Paulo, desde dezembro.

O corpo está sendo velado no cemitério Vila Mariano e será cremado nesta segunda-feira, 16, às 11h.

Em nota oficial, o Ministério da Cultura falou da importância de Peixoto para a cultura teatral do país. “O Brasil acaba de perder um dos maiores pensadores de teatro, o diretor, ator, escritor e professor Fernando Peixoto. Suas reflexões sobre o teatro internacional e sua contribuição ao teatro brasileiro na segunda metade do Século 20 foram fundamentais. Ele manteve até o fim da vida a relação de apoio e orientação aos novos atores, diretores e grupos. O Ministério da Cultura sente profundamente esta perda”.

Fernando Peixoto nasceu em Porto Alegre, no dia 19 de maio de 1937, e iniciou sua carreira no teatro em 1953. Em 1963, mudou-se para São Paulo e passou a integrou a companhia Teatro Oficina.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Uma cidade banhada de sol celebra 412 anos

Para o baiano Caetano Veloso, Natal é o “diamante do Nordeste”. Na expressão de Câmara Cascudo, a “noiva do sol”. À parte os epítetos lisonjeiros, a quatrocentona cidade dos Reis Magos veste-se de luz, magia e beleza para celebrar 412 anos vividos intensamente. Praias, dunas, sol, pau-brasil e riquezas naturais outras cativaram franceses, portugueses e holandeses que, pela abastança, encanto e estratégia do território natalense, travaram batalhas renhidas pela posse do sítio, mais do que prometia a bravura humana.

Mangabas, cajus “virgulados de castanhas” e jabuticabas adoçaram o paladar dos colonizadores. Europeus sentiram o sabor atlântico de ciobas, tainhas e xaréus agasalhados de farinha. Ouviram, ainda, o canto do azulão e da craúna no Parque das Dunas, nosso “pulmão” natural. Aqui, portugueses ergueram uma fortaleza, fundaram uma cidade e edificaram igrejas para propagar sua fé cristã.

Do solo natalense, brotaram artistas e homens de letras que dignificaram a nossa cultura. Eruditos do lastro de Luís da Câmara Cascudo e Américo de Oliveira Costa fizeram a estrela de Natal brilhar mais intensamente na constelação da literatura.

"Rio Grande do Norte,/ capital Natal;/ em cada esquina um poeta,/ em cada rua um jornal", dizia a quadrinha do início do século 20. Não é por acaso que a cidade presépio se destaca no panorama poético-literário do país ao gerar talentos da estatura de Jorge Fernandes e Luís Carlos Guimarães, e adotar como suas as poetisas Zila Mamede e Myriam Coeli. Nos dias de hoje, ganham vulto os versos de Marize Castro, Iracema Macedo e Carmen Vasconcelos.

Natal apresenta com orgulho suas manifestações folclórico-culturais traduzidas na tradição dos Congos de Calçola, da Vila de Ponta Negra; do Boi de Reis, de Manoel Marinheiro; e da Sociedade Araruna de Danças Antigas e Semi-Desaparecidas, fundada pelo saudoso Cornélio Campina. Estes são apenas três arquétipos do patrimônio imaterial da nação natalense.

Aliás, a cultura popular foi estudada, a fundo, pelo mestre Câmara Cascudo - o renovador do folclore brasileiro - e seus discípulos Veríssimo de Melo e Deífilo Gurgel, que fizeram da vida profissão de fé na defesa e na divulgação das nossas tradições populares. Nas artes plásticas, merecem louros e loas os artistas Newton Navarro - nosso representante da Escola de Paris -, Leopoldo Nelson e Dorian Gray, continuador do legado de Navarro. Louve-se, também, o pioneiro da arte cinética no Brasil, o misto de artista e inventor, Abraham Palatnik.

A alegria contagiante da nossa gente é embalada pelo samba de Roberta Sá, pela flauta mágica de Carlos Zens, pelo cantor Leno e pelo eclético Isaque Galvão. O romantismo contagiante do cantor Gilliard e da "rouxinol" Glorinha Oliveira também dão o tom maior da música potiguar. Todos esses talentos são "abençoados" por Othoniel Menezes e Eduardo Moreira, autores de "Praieira", hino informal da cidade.

Na arte teatral, o grupo Clowns de Shakespeare é referência no país. Não se pode esquecer também o trabalho consistente do Alegria, Alegria e do Grupo Estandarte de Teatro.

O balé da bola também se fez poesia nos pés de Marinho Chagas e nas mãos certeiras de Virna Dantas. Os pés ligeiros de Magnólia Figueiredo transformaram a nossa velocista em mina de ouro, prata e bronze. Por toda essa riqueza esportiva, artística e diversidade cultural, Natal enleva o espírito humano na grande viagem do homem em busca do conhecimento de si mesmo e de seu semelhante.

História

No longínquo 1530, o soberano de Portugal, Dom João III, dividiu o Brasil em lotes - as Capitanias Hereditárias – e as terras que hoje correspondem ao Rio Grande do Norte couberam a João de Barros e Aires da Cunha. A primeira expedição portuguesa ocorreu cinco anos depois com o objetivo de colonizar a região. Antes disso, os franceses já aportavam por aqui para contrabandear o pau-brasil. E esse foi o principal motivo do fracasso da primeira tentativa de colonização. Os índios potiguares ajudavam os franceses a combater os colonizadores, impedindo a fixação dos portugueses em terras potiguares.

Passados 62 anos, em 25 de dezembro de 1597, uma nova expedição lusa, desta vez comandada por Mascarenhas Homem e Jerônimo de Albuquerque, chegou para expulsar os franceses e reconquistar a capitania. Em fins do século 16, o rei de Portugal, Dom Felipe I, ordenou ao Governador Geral do Brasil, Dom Francisco de Souza, por meio das cartas régias de 09/11/1596 e de 15/03/1597, que fosse construída uma fortaleza e que se fundasse uma cidade para afastar os estrangeiros.

Banhados de rio e mar, os portugueses iniciaram a construção da cidadela de barro, no dia 6 de janeiro de 1598. Sua planta foi elaborada pelas mãos abençoadas do Padre Gaspar de Samperes, sendo concluída em 24 de junho de 1598 e denominada Fortaleza dos Reis Magos, por se tratar do dia de Santos Reis.

Graças à riqueza e fertilidade, o nosso território logo despertou a cobiça de outros povos d’além-mar. Em dezembro de 1631, teve início a campanha batava para conquistar a Capitania do Rio Grande. Os holandeses contavam com a ajuda dos índios Janduís, inimigos históricos dos lusos. Uma tropa, sob o comando de Albert Smient e Joost Closter, desembarcou em Genipabu.

Somente em dezembro de 1633 é que veio a expedição definitiva. A esquadra trouxe 808 soldados que desembarcaram em Ponta Negra. O combate começou no dia 8 e se estendeu até o dia 12, quando a guarnição do forte, à revelia do capitão-mor Pero Mendes de Gouveia, ferido no combate, propôs a rendição.

Vencedores, os holandeses rebatizaram o forte de Castelo Keulen, homenagem ao diretor da Companhia das Índias Ocidentais, e Natal, de Nova Amsterdã. Com o domínio holandês, em 1633, a rotina da cidade que começava a evoluir foi totalmente mudada. Os batavos permaneceram 21 anos em solo potiguar. Em 1654, os lusos expulsaram os batavos e reconquistaram a Capitania.

Século 20

Classificada como "um dos quatro pontos mais estratégicos do mundo", pelo Departamento de Guerra dos EUA, junto com Suez, Gibraltar e Bósforo, Natal nos anos 1940 serviu de base militar para os soldados norte-americanos, que vinham abastecer as aeronaves para seguir viagem para Dacar, no Senegal, e de lá combater as tropas alemãs na África e na Europa. No período da 2a Grande Guerra, a cidade ganhou notoriedade no mundo inteiro.

Nos anos pós-guerra, Natal continuaria a se desenvolver e a sua população crescer, mas só algumas décadas mais tarde é que esse quadro mudaria definitivamente, com a construção da Via Costeira nos anos 1980. São 10 km de praias com uma excelente rede de hotéis entre as dunas e o mar.

Atualmente, a quatrocentona capital do RN se encontra em processo de forte crescimento urbano e conurbação com cidades vizinhas, registrando, segundo o Censo 2010 do IBGE, uma população de 803.311 habitantes, que, se levada em conta a parcela flutuante, sobe para 1.350.840 habitantes.

Sozinha, a capital potiguar responde por 40% da receita do estado. A base da sua economia são atividades relacionadas ao comércio, indústria, construção civil e, principalmente, o turismo. Hoje, não só franceses, portugueses e holandeses visitam Natal. Nos períodos de alta estação, a cidade se transforma na babel brasileira, recebendo turistas do mundo inteiro.