quarta-feira, 14 de setembro de 2011

NA FOSSA COM AS WALESKAS


AS CARNAIS WALESKAS DA CIDADE PRESÉPIO

REQUEBRAM A PÉLVIS EM MOVIMENTOS UNIFORMEMENTE INVARIÁVEIS

AO RUFAR DOS TONS TRIBAIS DE PRETÉRITAS ALDEIAS

ENCRAVADAS NA ABISSAL FOSSA PÓS-BEATLEUNANIMIDADE

SUPERPOVOADA POR ADJACÊNCIAS CIRCUNLOQUIALMENTE VERBORRÁGICAS

QUE AS MEREÇAM O ÂNUS DE FECAIS INOPERÂNCIAS

DOS TAQUIFÁGICOS DEVORADORES DE CAMARÃO-LIXO...

UM INSTANTE MAESTRO ENQUANTO LIMPO!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"1969" antecipa o fim do sonho americano


"1969 - O ano que mudou nossas vidas" (1969, EUA, 1988) não teve o mesmo impacto de "Easy Rider" ou "Hair" na época do lançamento, mas tem o espírito revolucionário dos anos 60. Aborda temas comuns a ambos os filmes - revolução de costumes, contracultura, drogas, rock and roll, Vietnã -, sem se aprofundar muito. Ainda bem. Podia ter ficado chato ou pretensioso. Admiro o filme e o escolhi para preencher minha noite de segunda-feira. No condado de Culloch, interior dos EUA, os ecos da contracultura ainda não haviam chegado no início de 1969, exceto para os amigos Ralph (Robert Downey Jr.) e Scott (Kiefer Sutherland), que após cursarem a faculdade irão se defrontar com a dura e conservadora realidade que os aguarda. Com os ventos da revolução cultural americana já soprando e fazendo barulho, os dois amigos pegam a estrada, experimentam drogas e dão um tempo numa comunidade riponga adepta do naturalismo. Isto entre idas e vindas. No meio do furacão, a bela Beth (Winona Ryder), irmã de Ralph, observa o mundo e suas mudanças enquanto também muda aos poucos de menina para mulher. Há ainda o irmão de Scott, Alden, interpretado pelo ator Christopher Wynne, que parte para o Vietnã e abre feridas e deixa sequelas na família. Resultado: volta num caixão com a bandeira americana estirada em cima. O filme chama a atenção para a paz, mesmo a maior nação do planeta enfrentando na ocasião uma guerra feroz que a desmoralizaria perante a própria sociedade estadunidense e o resto do mundo. Lá para as tantas Ralph é preso por ter invadido um prédio do governo para surrupiar a ficha de identificação que certamente o levaria para o Sudeste asiático. Ainda rola um rolo entre Scott e Beth para a indignação de Ralph. Dirigido por Ernest Thompson, o drama, conforme sugere o crítico Rubens Ewald Filho, é autobiográfico. Sorte dele ter vivido a falsa Era de Aquário, onde o lema sexo, drogas e rock and roll atingiu seu ápice. O filme revela boas atuações de Robert Downey Jr. e Kiefer Sutherland. Abro um parêntese para a trilha sonora. Aí a porca torce o rabo. Blind Faith, Canned Heat, Cream, Crosby, Stills, Nash & Young, Jimi Hendrix, The Animals, The Zombies são algumas lendas do rock and roll que permeiam o drama do início ao fim. O melhor que o estilo produziu na década de 60. Fica a dica. Eu gostei e indico. Alguém conhece o filme? Se não, vale a pena conferir.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Um poema de António Ramos Rosa


As palavras

Adiro a uma nova terra adiro a um novo corpo
As palavras identificam-se com o asfalto negro
o tropel das nuvens
a espessura azul das árvores acesas pelos faróis
o rumor verde
As palavras saem de um ferida exangue
de teclas de metal fresco
de caminhos e sombras
da vertigem de ser só um deserto
de armas de gume branco
Há palavras carregadas de noite e de ombros surdos
e há palavras como giestas vivas
Matrizes primordiais matéria habitada
forma indizível num rectângulo de argila
quem alimenta este silêncio senão o gosto de
colocar pedra sobre pedra até à oblíqua exactidão?
As palavras vêm de lugares fragmentários
de uma disseminação de iniciais
de magmas respirados
de odor de gérmen de olhos
As palavras podem formar uma escrita nativa
de corpos claros
Que são as palavras? Imprecisas armas
em praias concêntricas
torres de sílex e de cal
aves insólitas
As palavras são travessias brancas faces
giratórias
elas permitem a ascensão das formas
elevam-se estrato após estrato
ou voam em diagonal
até à cúpula diáfana
As palavras são por vezes um clarão no dia calcinado
Que enfrentam as palavras? O espelho
da noite a sua impossível
elipse
Saem da noite despedaçadas feridas
e são signos do acaso pedras de sol e sal
a da sua língua nascem estrelas trituradas

de Gravitações(1984)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Parte de filme perdido de Hitchcock é encontrado na Nova Zelândia

Atriz Betty Compson

Sydney (Austrália) - Parte do filme mudo "The White Shadow", considerado um dos primeiros trabalhos de Alfred Hitchcock, foi encontrado nos Arquivos Cinematográficos da Nova Zelândia, informam nesta quarta-feira meios de comunicação locais.

O mestre do suspense tinha 24 anos quando trabalhou neste filme, dirigido por Graham Cutts, como assistente de direção, escritor, editor e no desenho da produção, segundo o canal de televisão "3 News".

O filme, porém está incompleto, porque foram encontrados apenas os primeiros três rolos do filme, de um total de seis, e nada indica que haja uma cópia.

"Estes três primeiros rolos nos oferecem uma oportunidade que não tem preço para estudar suas ideias visuais e narrativas quando estas começavam a ganhar forma", disse ao canal "TVNZ" David Sterritt, presidente da Sociedade Nacional de Críticos de Cinema.

Neste melodrama filmado em 1923, a atriz Betty Compson encarna as irmãs gêmeas Nancy e Georgina Brent, com personalidades diametralmente opostas, uma angelical e outra diabólica.

"The White Shadow" pertencia ao empresário cinematográfico e colecionador neozelandês Jack Murtagh, mas, após sua morte em 1989, seu neto Tony Osborne enviou as fitas ao arquivo para sua conservação.

Os rolos estão agora em um centro de pós-produção em Wellington onde serão feitas cópias em preto e branco e também coloridas do filme.

O filme de Hitchcock, lembrado por obras como "Psicose", Um Corpo que Cai" e "Os Pássaros", é um dos tesouros de Murtagh, ao lado de outros como "Upstream", de John Ford, acrescentou o "TVNZ".

Passados dois anos da produção de "The White Shadow", Hitchcock dirigiu "The Pleasure Garden", seu segundo filme como diretor após o inacabado e perdido "Number 13".

segunda-feira, 11 de julho de 2011

União Brasileira de Escritores lança prêmio literário


União Brasileira de Escritores lança prêmio literário

A União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte (UBE/RN) lançou a primeira edição do prêmio literário “Escritor Eulício Farias de Lacerda”. O objetivo é premiar os autores potiguares ou, sendo de outros Estados, vinculados à UBE/RN, em trabalho na modalidade “prosa”, sobre pessoas, natureza ou costumes prevalentes na cultura do Rio Grande do Norte.

O local das inscrições e entrega dos trabalhos é na sede provisória da UBE/RN, localizada na rua Padre Manoel, esquina com a rua D. Pedro I, no prédio do Memorial da Justiça Desembargador Vicente Lemos, no horário corrido de 8h às 16h, até o dia 30 de setembro de 2011.

A premiação será da seguinte forma: a) Premiação em dinheiro: 1º lugar: R$ 1.000,00 (mil reais); 2º lugar: R$ 500,00. b) Premiação de publicação em livro do trabalho vencedor (editoração pelo selo “Nave da Palavra”), com tiragem de 300 exemplares. Os premiados receberão diploma com a referência da sua colocação.

Trabalhos e autores vencedores serão conhecidos na cerimônia de premiação, prevista para ocorrer em outubro de 2011, por ocasião do IV Encontro Potiguar de Escritores (IV EPE), com todos os finalistas. As condições para a participação no concurso obedecerão aos termos do regulamento afixado no quadro de avisos da UBE/RN e o pedido de inscrição implica na aceitação plena do regulamento, que também pode ser acessado no site www.ubern.org.br Informações outras pelo fone 3616-6513.

domingo, 10 de julho de 2011

Londrinos correm às bancas para comprar o último número do News of the World

Última edição do News of the World

Redação do tabloide que marcou época no Reino Unido


LONDRES, 10 Jul 2011 (AFP) -Os londrinos correram à bancas neste domingo para conseguir o último número do News of the World, tradicional tabloide sensacionalista forçado a ser fechado em função do escândalo das escutas telefônicas que abalaram o Reino Unido, e muitos demonstraram sua tristeza pelo desaparecimento da publicação depois de 168 anos de existência.

"É uma pena ver desaparecer um jornal tão antigo e que, obviamente, sempre foi um sucesso. Mas o que estavam fazendo não é certo e estou de acordo que o tenham fechado", declarou à AFP Kenny, um barbeiro de 24 anos, que exibia seu exemplar recém-comprado numa estação de King's Cross, no centro da capital.

"Eles foram longe demais. Deve haver uma maneira melhor de conseguir notícias do que espionando as pessoas", criticou Shareen Geral, maquiadora de 26 anos, que considerou, apesar de tudo, muito triste perder "essa parte da cultura britânica".

Shareen Geral espera lucrar em breve com este item de colecionador. "Vou guardá-lo e colocá-lo no site de leilões eBay no futuro. Vai valer mais que uma libra (1,6 dólar), seu preço hoje", explicou a leitora habitual do jornal.

A partir do próximo domingo, milhões de britânicos se sentirão órfão sem sua edição do News of the World, a exemplo de Martin, um executivo de vendas de 31 anos, que disse estar bastante aborrecido porque terá de procurar outro jornal com o mesmo nível de qualidade nas matérias esportivas.

Com um simples "obrigado e adeus" e uma discreta desculpa, o polêmico jornal sensacionalista britânico News of the World se despediu neste domingo de seus leitores.

Cinco milhões de exemplares do último número do tabloide mais vendido do país, quase o dobro que o de costume, chegaram às bancas.

A edição para colecionadores foi essencialmente dedicada a destacar os êxitos obtidos pelo, como se autoproclama sem modéstia, "melhor jornal do mundo".

O News of the World repassa em um caderno central de 48 páginas algumas das grandes matérias exclusivas da história do jornal, como a revelação, em 2004, da relação de David Beckham com sua assistente Rebecca Loos, ou o caso do ator Hugh Grant com a prostituta Divine Brown em 1995, entre outras.

Mas, em meio a tanta autopromoção, também houve lugar para um pedido de desculpas.

"Simplesmente perdemos o rumo", explica o editorial na página 3, no qual assinala que, apesar dos "altos padrões" que exigia de seus empregados, "agora estamos dolorosamente conscientes de que, durante um período de vários anos até 2006, algumas das pessoas que trabalharam conosco, ou em nosso nome, vergonhosamente não alcançaram estes padrões".

Os londrinos, no entanto, não deverão ficar muito tempo sem um jornal substituto, já que a imprensa britânica antecipa que o grupo Murdoch anunciará em breve uma edição dominical do Sun, sua outra grande publicação sensacionalista, que até agora só era publicado de segunda a sábado.

Nota do blog: O News of the World deu nome a um dos melhores álbuns da banda britânica Queen. Lançado em 1977, News of the World (o disco) trazia logo de cara as faixas "We will rock you" e "We are the champions", além de outras gemas como "Spread your wings", "Fight from the inside", "It's late" e "My melancholy blues". Para ficar nessas.