quarta-feira, 6 de abril de 2011

"Repouso do Adônis" em Guarulhos neste domingo


Uma trajetória singular

A comédia "Repouso do Adônis" (1991) é ambientada em bordel decadente de cidade de pequeno porte no interior do Estado do Rio Grande do Norte. Aborda a questão do poder e de seus desdobramentos no universo sociocultural do Nordeste. A secular relação opressor/oprimido é apresentada como modelo fidedigno da cultura da região desde a sua fase de colonização.

O enredo tem início quando o Delegado Antão, ao saber que Dona Violeta, proprietária do "Repouso do Adônis", hospeda sobrinha no cabaré, passa a chantagear a cafetina no intuito de possuir a adolescente Glorinha. Por seu turno, Violeta faz acordo com o boêmio e desocupado Sevé para desmascarar o Delegado.

A montagem da Companhia Lenda Urbana, sediada em Mogi das Cruzes (SP), estreou em outubro de 2010 e já foi apresentada para centenas de pessoas em São Paulo, Suzano e Mogi das Cruzes. Em dezembro, o grupo subiu ao palco do Theatro Vasques para receber os troféus de Melhor Espetáculo Mogiano e terceiro lugar no ranking geral do Festival Nacional de Teatro de Mogi das Cruzes (Tablado).

"Repouso do Adônis" é a primeira peça do dramaturgo Paulo Jorge Dumaresq. Neste ano da graça de 2011 completa 20 anos de escrita. Mas só 12 anos depois de elaborada, a comédia teve a sua primeira encenação. Estreou em 10 de dezembro de 2003, em Ilhéus (BA), numa montagem do Grupo de Teatro Do Pranto ao Riso, com direção de Paulo Costa. A montagem ilheense despertou o interesse de diversos grupos e companhias teatrais do país, pois, a partir daquela data, a peça não parou mais de ser encenada no Brasil e em Portugal.

Merecem destaque, também, as montagens de Lucas do Rio Verde (MT), Gurupi (TO), Santarém, Freguesia de Medas (Concelho de Gondomar, Portugal), Lajes do Pico (Açores, Portugal), Barra Bonita (SP), Pirapozinho (SP), Colombo (PR), Curitiba, São Paulo, Sorocaba, Fortaleza, Freguesia de A-dos-Negros (Concelho de Óbidos, Portugal), Mogi das Cruzes e Caxias do Sul. Boa leitura.

SERVIÇO:

Peça teatral "Repouso do Adônis".

Montagem: Companhia Lenda Urbana.

Encenação: Marcelo Ortega.

Dramaturgia: Paulo Jorge Dumaresq.

Local: Teatro Padre Bento. Rua Francisco Foot, 03. Jardim Tranquilidade. Guarulhos (SP).

Data: 10 de abril de 2011.

Hora: 19h.

Ingressos: R$ 15,00 (inteira) / R$ 10,00 (promocional) / R$ 7,50 (meia).


terça-feira, 29 de março de 2011

"Casa de Violeta" volta ao cartaz no próximo sábado em Caxias do Sul

DRAMATURGIA: Paulo Jorge Dumaresq.

DIREÇÃO: Davi de Souza.

MONTAGEM: Grupo de Teatro da Fundação Marcopolo.

domingo, 27 de março de 2011

Poema de Paulo Leminski


Uma poesia ártica,
claro, é isso que desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não. Nenhuma.
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxames de monólogos?).
Sim, inverno, estamos vivos.

PAULO LEMINSKI

quarta-feira, 23 de março de 2011

Oitavo dia em Sampa (18.3)


Foto do espetáculo teatral "Roberto Zucco"


Sexta-feira agitada na Pauliceia. Ambulâncias e viaturas de polícia cortavam as principais artérias do centro da megalópole. Com o espírito renovado do desastre da noite anterior, desci a Consolação, peguei a Ipiranga e depois a 24 de Maio. Fui fazer as últimas compras na Galeria do Rock. Abiscoitei três pérolas: Manfred Mann's Earth Band (The good earth, 1974), Armageddon (Armageddon, 1975) e Roger Hodgson (In the eye of the storm, 1984). Comprei algumas camisetas e caí fora. Destino: Planeta's. Este restaurante está localizado no início da rua Augusta e é extremamente importante para os artistas do teatro paulistano, vez que apoia quase todos os espetáculos apresentados na praça Roosevelt. Parabéns ao proprietário pelo investimento na cultura. Sim, cultura dá retorno. Mas nem todo empresário tem o discernimento de investir em cultura. Lástima. Após o penne com frutos do mar e meia jarra de vinho, voltei para o Hotel. À tarde, fui conferir a estreia de Cópia fiel (Copie conforme, França/Itália/Irã, 2010), o novo filme do cineasta iraniano Abbas Kiarostami. Quem integra o elenco? Ora, a divina Juliete Binoche. Mademoiselle contracena com o ator inglês William Schimell. James Miller (William Shimell) é um filósofo inglês que vai a uma pequena cidade da Toscana apresentar seu livro sobre o valor da cópia na arte. Chegando lá, encontra Elle (Juliete Binoche), uma francesa dona de uma galeria de arte há muitos anos, que vive com seu filho pré-adolescente (Adrian Moore). Eles passam a tarde juntos. Ao mesmo tempo em que vão se conhecendo, começam a desenvolver um complexo jogo de interpretação de personagens. Filme filosófico, ao estilo Eric Rohmer, Cópia fiel faz uma profunda reflexão sobre os valores da vida. Tudo ia muito bem até a telona apagar. Revolta na sala 3 do Espaço Unibanco de Cinema, na rua Augusta. Depois de uma espera de mais de 15 minutos o problema foi solucionado. O que ocorreu foi o absurdo dos absurdos. É inadmissível que isso aconteça num cinema de certo respeito (?) como o Espaço Unibanco. Pensava que aquilo só ocorria no Cinemark Midway Mall, o complexo de cinemas de farofeiros de Natal. Ingresso a R$ 20,00 e o filme em duas partes. Ridículo. Nunca mais frequentarei aquele cinema. À noite, voltei à praça Roosevelt para me despedir. Apostei em Roberto Zucco, montagem pela Cia. de Teatro Os Satyros e direção de Rodolfo Garcia Vázquez. Foi o melhor espetáculo teatral que vi. Rodolfo usou de muita criatividade para dar dinâmica ao espetáculo no pequeno Espaço dos Satyros I. As arquibancadas eram movimentadas pelos próprios atores. Gostei bastante. Roberto Zucco foi um serial killer italiano que matou o pai, a mãe, um policial e uma criança. O espetáculo acaba com Zucco fugindo da penitenciária. O texto é do dramaturgo francês contemporâneo Bernard-Marie Koltès (1948-1989). Na sessão, próximo de mim, estava o ótimo e simpático ator Caco Ciocler. Missão cumprida na Roosevelt, voltei para o hotel.

Morre aos 79 anos a atriz Elizabeth Taylor


O cinema está de luto.

A atriz Elizabeth Taylor morreu nesta quarta-feira aos 79 anos.

Anunciada pela rede ABC e confirmada pelo filho da atriz, Michael Wilding, a morte de Liz Taylor gerou consternação no mundo inteiro.

Wilding soltou o seguinte comunicado: "Nós sempre seremos inspirados pela sua contribuição ao nosso mundo."

A atriz estava internada no centro médico Cedars-Sinai, em Los Angeles, desde o início de fevereiro, com problemas no coração.

Taylor foi diagnosticada em 2004 com Insuficiência Cardíaca Congestiva, uma patologia que impede o coração de bombear sangue oxigenado suficiente para suprir as necessidades dos demais órgãos do corpo, o que gera uma sensação de fadiga, dificuldade de respirar, aumento de peso, entre outros problemas.

Em 2009, Taylor foi submetida a uma cirurgia para substituir uma válvula defeituosa no coração. Ela usava uma cadeira de rodas há mais de cinco anos para lidar com sua dor crônica. Vencedora de dois Oscar, Elizabeth Taylor foi operada de um tumor no cérebro em 1997.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sétimo dia em Sampa (17.3)



Um dia para esquecer. Nada deu certo. A minha ideia era assistir no Frei Caneca ao filme Inverno da alma (Winter's tale, EUA, 2010). Fui lá e quando cheguei na bilheteria o celuloide havia sido retirado de cartaz. Fiquei puto, mas raciocinei que à noite seria o grande momento de conferir o musical Lamartine Babo, com texto e roteiro de Antunes Filho. Ao chegar no SESC Consolação, pertinho do Hotel Dan, na rua Dr. Vila Nova, o funcionário me informou que o ingresso estava sendo vendido no sétimo andar. Ele se enganou ou entendeu mal e me fez de besta. Na verdade, o espetáculo seria apresentado no auditório localizado no sétimo andar, onde fica o Centro de Pesquisa Teatral (CPT), o bunker de Antunes Filho. Pelo menos, agora, sei onde o mestre trabalha. Além de dois auditórios, o SESC Consolação conta com o Teatro Anchieta, com 320 lugares, onde já vi do Antunes os espetáculos Foi Carmen e Policarpo Quaresma. Desci ao primeiro andar e para o meu infortúnio a funcionária do SESC - com sua cara lisa - me informou que os ingressos estavam esgotados. Inclusive me mostrou o mapa eletrônico com os assentos marcados em vermelho. Naquele momento, a viagem acabou para mim. Do primeiro andar desci para o térreo, onde dois músicos tocavam blues para uma plateia entusiasmada. Enquanto assistia à apresentação, fiquei maquinando o que iria fazer. Acabei indo novamente para a praça Roosevelt afogar a frustração no vinho, no bar Papo, Pinga e Petisco. Não teve jeito, Ghal. Tomei a jarra de vinho e voltei bêbado e puto da vida para o hotel. Ter perdido o musical foi terrível. Foda mesmo. Só Antunes Filho salva. O sono demorou a chegar. Apaga. Black.