domingo, 27 de março de 2011

Poema de Paulo Leminski


Uma poesia ártica,
claro, é isso que desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não. Nenhuma.
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxames de monólogos?).
Sim, inverno, estamos vivos.

PAULO LEMINSKI

7 comentários:

  1. Amigo Paulo Jorge
    Adoro Paulo Leminsk, que tive a honra de conhecer pessoalmente, por intermédio de minha saudosa prima Maria Homero, que era casada com Aristófanes Mendes, tio do poeta.
    Mas isso, conto-lhe apenas como curiosidade...
    O que vale, mesmo, é a obra de Leminsk!
    Este poema que você selecionou, para nosso deleite, é incrível!
    Li e reli, na tentativa de destacar um verso que fosse ponto de partida para o comentário, mas, qual...
    Como recortar algo, se cada letra está milimétricamente encaixada no lugar mais exato?
    Formidável!
    Grata, meu querido amigo, pelo presente.
    Abraço bem apertado da
    Zélia

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  2. É o que se pode chamar de poema feliz...
    Um grande abraço.

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  3. rapaz,
    leminski é o que houve.
    leminski é o que é e há.

    ainda bem que ainda temos pessoas como você, para nos lembrar.

    beijão, poeta da barra do potengi.

    seu amigo das minas, o

    roberto.

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  4. leminski é fodástico!

    beijo, sumido.

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  5. Eita, que causou um arrepio dos bons, querido!
    Não conhecia esse.

    Beijinhos...

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