quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Miserê alegórico

O prateado rio

pranteia as palafitas

que levitam

acima dos excrementos

num voo angélico


Na geografia do espaço

a miséria se materializa;

prêt-à-porter

no cais do peito

da preta pobre

4 comentários:

  1. Doloroso o texto. Necessário também.

    ResponderExcluir
  2. Muito plástico... "Uma pintura é uma poesia muda; uma poesia, uma pintura que fala". Caso exato do seu poema. E essa tirada 'semiótica' é atribuída a Simônides, pensador pré-socrático. Então se vê quão relativa é a cronologia das idéias. Parece um conceito 'pós-moderno'... Ou Simônides já o era... E o que há, se há, é um repós-moderno... Grande abraço!

    ResponderExcluir
  3. Nivaldete, adorei o 'repós-moderno'. Uma aula. Qdo crescer quero ser igualzinho a vc. Abração.

    ResponderExcluir