
Nestas poucas linhas tentarei explicar o inexplicável enredo do filme: Caden Cotard (Phillip Seymour Hoffman) é um dramaturgo e também diretor de teatro casado com a artista plástica Adele Lack (Catherine Keener). Dessa união, nasce Olive. Assim como a carreira, seu casamento vai desabando. A mulher e a filha pequena se mudam para a Alemanha com a desculpa de uma exposição e por lá ficam. Nesse ínterim, Caden ganha uma poupuda bolsa/patrocínio e resolve montar uma peça contando sua vida.
A partir daqui o filme dá uma guinada. Ninguém mais segura a imaginação e os delírios do roteirista/diretor Charlie Kaufman. O personagem Caden Cotard vai se perdendo no meio do caminho e a peça entra dentro de outra peça e os atores viram personagens reais que viram personagens da peça que precisam de outros atores para interpretá-los, e assim Kaufman cria um intrincado labirinto fílmico, que acaba atordoando e confundindo o espectador. Puro exercício audiovisual-semiótico-surreal.
Na minha ideia, Kaufman quis comunicar de uma forma não linear e não objetiva a própria existência humana, porque há um momento na vida que paramos e nos fazemos antigas indagações filosóficas que até hoje perturbam a humanidade: "O que é a vida? O que é a morte? O que é a existência?". Certamente, Kaufman está longe de responder essas questões, mas dá algumas pistas, mesmo sinuosas, quando Caden, velho e às portas da morte, quastiona a existência dele/nossa no planeta.
Como era de esperar, Philip Seymour Hoffman paga o ingresso na pele de Caden Cotard. Sinédoque, Nova York é para ser digerido aos poucos, de preferência num ritual antropofágico. Agora, não seria deselegante de minha parte - creio que não - pedir a Charlie Kaufman para reduzir o filme em meia hora.
Se perdemos um diretor teatral, ganhamos um crítico de cinema dos bons, dos que nos deixam com vontade de ver o filme... Pelo jeito, o filme é 'difícil', mas você falou com simplicidade e eficácia. Um abraço.
ResponderExcluirObrigado pela visita, Nivaldete. Sempre atento aos seus poemouros. Abração.
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